
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes determinou a prisão do contador Washington Travassos de Azevedo por suspeita de participação no vazamento de dados sigilosos de integrantes da Corte e outras autoridades.
Segundo o STF, a Polícia Federal (PF) apontou Azevedo como “um dos mandantes na cadeia de obtenção de dados fiscais protegidos por sigilo funcional”. A Procuradoria-Geral da República (PGR) se manifestou a favor da prisão.

Azevedo está preso desde 14 de março. Em 5 de março, ele foi alvo de busca e apreensão na operação Dataleaks, deflagrada pela PF.
Em depoimento à corporação, o contador afirmou que atuou como intermediário entre um interessado nos dados da Receita e uma pessoa que alegava ter acesso às informações sigilosas.
As informações supostamente obtidas pelo contador abrangem o período de 8 de janeiro de 2024 a 27 de janeiro de 2026. De acordo com a PGR, Azevedo acessou dados de 1.819 pessoas, incluindo nomes ligados a ministros da Corte, do Tribunal de Contas da União (TCU), deputados, ex-senadores, um ex-governador, dirigentes de agências reguladoras e empresários.
O advogado Eric Cwajgenbaum, que defende o contador, afirmou ao site Poder360 não ter tido acesso à decisão judicial nem às ordens de tornozeleira eletrônica e busca.
“Acrescento que esse caso é grave [a falta de acesso a decisão]. São violações que, eu mesmo em quase 30 anos de profissão, nunca tinha visto. O inacesso absoluto, a negativa em me receber pessoalmente. Estive no STF e fui informado que não poderia ser recebido”, disse a defesa de Azevedo.
Washington tem registro ativo como contador no Conselho Federal de Contabilidade. Ele mantém empresa no RJ, aberta em 2015, e abriu recentemente outra em São Paulo (SP).
