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Aumento da conta de luz: o país vai pagar R$ 229 bilhões sem ver a planilha?
Publicado em 23/04/2026 11:50
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**Por Heber Galarce – Presidente do Instituto Nacional de Energia Limpa

 

 

Não é preciso conhecer o jargão do setor elétrico para perceber quando falta explicação numa decisão pública. Basta pensar numa cena comum: chega um orçamento, depois chega outro muito maior, e ninguém mostra com clareza o caminho entre um e outro.

luz

É isso que está em debate no LRCAP de 2026. Pelos cálculos do INEL, feitos sobre os preços-teto divulgados publicamente e o volume efetivamente contratado, a diferença potencial entre a primeira precificação e a segunda fica na casa de R$ 229 bilhões. Não é um número oficial consolidado em um único documento do governo. É uma estimativa contrafactual baseada em dados públicos. Ainda assim, é grande demais para ser tratada como nota de rodapé.

 

 

O debate não é contra a contratação de potência. O país precisa manter a luz acesa. O debate também não é contra revisão de preço em si. O que está em questão é algo mais simples: como uma diferença dessa dimensão ainda não foi apresentada de forma compreensível para quem vai arcar, no fim da cadeia, com os efeitos econômicos dessas decisões.

 

Quando a conta é pequena, a falta de transparência já é ruim. Quando a conta pode chegar à casa de R$ 229 bilhões, a falta de transparência vira problema institucional.

 

 

O TCU decidiu não suspender o leilão neste momento. Mas isso não resolve a pergunta principal. Não interromper não significa esclarecer. Não parar não significa concordar. Manter o certame não equivale a carimbar a revisão de preços.

 

A confusão começa quando se tenta vender à opinião pública uma escolha que não precisa existir: ou se aceita a conta como veio, ou se coloca em risco a segurança energética. Essa oposição é falsa. O Brasil pode contratar energia e exigir memória de cálculo. Isso não é sobre o objeto do leilão, é sobre transparência e seus impactos nas contas públicas e nas tarifas domésticas.

 

No fundo, o assunto é menos técnico do que parece. O cidadão não quer dominar cada fórmula regulatória. Quer saber algo bem mais direto: por que o preço subiu tanto? Quem decidiu? Com base em quê? E onde está a conta completa? Seguir adiante sem essa prestação de contas transforma uma questão técnica em um problema de governança pública.

 

Essas perguntas não são exageradas. São o mínimo. Porque erro grande em setor grande não fica preso em gabinete. Mais cedo ou mais tarde, ele escorre para a tarifa, pressiona o custo de vida e corrói a confiança de que decisões bilionárias estejam sendo tomadas com o cuidado que prometem ter. Decisões que podem gerar centenas de bilhões em custos exigem explicação clara e verificável.

 

Se a reprecificação foi correta, mostrar a planilha deveria ser a parte mais simples, quais os efeito sobre tarifas e orçamento público, com prazos e magnitude?

 

Se não foi, é agora que o país precisa discutir isso com franqueza. O que não dá é para seguir adiante como se uma diferença dessa ordem pudesse ser absorvida pela pressa, pela fumaça do tecnicismo ou pela dificuldade do setor em falar claro.

 

 

A pergunta, portanto, continua de pé: o país vai pagar R$ 229 bilhões sem ver a planilha?

 

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