
O político conservador Nigel Farage é um dos principais arquitetos do Brexit, a saída do Reino Unido da União Europeia há uma década. Hoje, ele deu um passo decisivo na direção de governar o país.

Nas eleições locais ainda em apuração, realizadas ontem, a vitória do partido de Nigel Farage, o Reform UK, já é inegável, bem como a derrota do Partido Trabalhista, do primeiro-ministro Keir Starmer e, em menor grau, também do Partido Conservador. É uma rejeição do modelo bipartidário que antecipa o que acontecerá no nível nacional nos próximos anos.
Os britânicos escolheram membros de “conselhos” (councils), autoridades locais sem equivalente perfeito no Brasil, que combinam funções parecidas com as de Câmaras Municipais, prefeituras e, em alguns casos, governos estaduais. No modelo britânico, esses conselhos acumulam funções deliberativas e executivas.
Do total de 5.066 cadeiras de conselheiro disponíveis em 136 conselhos, até o momento o Reform ganhou 600 cadeiras enquanto o Partido Trabalhista perdeu 338 e o Partido Conservador perdeu 233. O Partido Verde, de uma esquerda mais radical que o Trabalhista, ganhou 45.
O desastre para os trabalhistas já fez com que até mesmo alguns membros do partido peçam que Starmer renuncie do comando do país, embora as eleições locais não afetem as cadeiras do Parlamento britânico.
Mas Starmer, até o momento, está irredutível. “Não vou embora, não vou jogar o país no caos”, disse ele, resistindo aos sinais de rebelião no próprio partido.
Farage, cujo partido promete restaurar o Reino Unido e conter a imigração, é só sorrisos. Para ele, os resultados são “uma mudança histórica na política britânica”. Comemorando a primeira vitória do Reform em um dos conselhos de Londres, ele se declarou “empolgado e muito feliz”.
As informações são dos veículos The Times e The Independent.
