
O ministro do STF André Mendonça determinou o bloqueio judicial de imóveis que, segundo investigação da Polícia Federal, teriam sido usados pelo banqueiro Daniel Vorcaro para pagar suposta propina ao ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa.

A decisão foi assinada em 16 de abril, mesma data em que Mendonça autorizou a prisão de Paulo Henrique Costa no âmbito da Operação Compliance Zero. A ordem, porém, não havia sido tornada pública.
Segundo a PF, Vorcaro utilizou fundos de investimento e empresas interpostas para transferir imóveis ao ex-presidente do BRB. O valor total dos bens investigados é estimado em R$ 146,5 milhões.
A investigação identificou ordens de bloqueio registradas em matrículas de imóveis adquiridos por sociedades anônimas criadas no início de 2025 e dirigidas por Hamilton Suaki, cunhado do advogado Daniel Monteiro, também preso na operação.
Um dos imóveis é um apartamento de 564 metros quadrados no condomínio Heritage, em Brasília. O imóvel foi comprado pela Allora S.A., empresa dirigida por Suaki, por R$ 37 milhões. O vendedor foi Henry Visconde, proprietário da concessionária Eurobike.
O contrato de gaveta foi assinado em 27 de fevereiro de 2025, mas o registro em cartório só ocorreu em janeiro de 2026, quando o caso Banco Master já havia ganhado repercussão pública.
Segundo os registros, o apartamento foi posteriormente revendido pela Allora à Araguaia Empreendimentos LTDA por R$ 15 milhões, valor inferior ao inicialmente pago.
A Araguaia Empreendimentos pertence aos irmãos Leandro e Leonardo Martins de Almeida, que foram alvo da Operação Onzena, da Polícia Federal, em 2018. A investigação apurava suposto esquema de agiotagem e lavagem de dinheiro.
A decisão de Mendonça tornou o imóvel indisponível, impedindo venda ou transferência sem autorização judicial.
Outro imóvel bloqueado é um apartamento de 207 metros quadrados no Residencial Ennius Muniz, também em Brasília. O bem foi adquirido pela Chesapeake S.A., outra empresa dirigida por Hamilton Suaki.
O contrato de compra e venda foi firmado em 30 de janeiro de 2025 pelo valor de R$ 4,6 milhões. Segundo a investigação, uma empresa ligada a Vorcaro pagou sinal de R$ 2,33 milhões no dia seguinte.
Apesar da negociação, o imóvel continua registrado em nome da empresa vinculada à incorporadora Conbral, que agora também está impedida de realizar qualquer venda sem autorização da Justiça.
