
A Procuradoria-Geral da República (PGR) pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) que a Polícia Federal (PF) faça uma perícia nas mensagens atribuídas ao tenente-coronel Mauro Cid e apresentadas pela defesa do ex-assessor de Jair Bolsonaro (PL), Marcelo Costa Câmara, para questionar a validade da delação premiada do militar.

O pedido foi enviado ao ministro Alexandre de Moraes na última sexta (03). Para o procurador-geral da República, Paulo Gonet, ainda é necessário confirmar quem utilizava os perfis investigados e verificar a autenticidade das conversas encaminhadas ao Supremo.
Além da perícia, a PGR pediu que a Secretaria Judiciária do STF reúna documentos relacionados ao caso e verifique a existência de outras decisões judiciais ou respostas de empresas de tecnologia envolvendo os mesmos perfis, para consolidar as informações produzidas na investigação.
As mensagens foram apresentadas pela defesa de Câmara para sustentar que a delação premiada de Cid não teria sido prestada de forma totalmente voluntária.
Em junho de 2025, o advogado Eduardo Kuntz entregou ao Supremo áudios e capturas de tela de conversas que, de acordo com ele, foram mantidas com Cid por meio de um perfil no Instagram.
Segundo a defesa, os contatos começaram no fim de 2023 por intermédio do perfil “@Gabrielar702”. Kuntz afirma que, em fevereiro de 2024, o próprio Cid enviou uma selfie nas mensagens privadas para confirmar sua identidade.
A entrega desse material levou Moraes a determinar a abertura de um inquérito para apurar uma possível tentativa de obtenção de informações sigilosas sobre o acordo de colaboração premiada de Cid. A suspeita é que Câmara e seu advogado tenham buscado acessar detalhes protegidos da delação.
Por determinação de Moraes, Meta e Google encaminharam ao STF informações cadastrais e registros de atividade relacionados às contas “maurocid@gmail.com”, “@gabrielar702” e “Gabriela R”.
Marcelo Câmara é acusado de integrar o “núcleo 2” da suposta “trama golpista”. Segundo a PGR, o grupo, formado por seis condenados, elaborou a “minuta do golpe”, monitorou Moraes e articulou ações com a PRF para supostamnte dificultar o deslocamento de eleitores do Nordeste durante as eleições de 2022.
