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Lula engana o Nordeste com gambiarra de lata velha
Publicado em 07/07/2026 11:00
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O roteiro já é conhecido: helicóptero presidencial, palanque montado para Lula, claque a postos e o indefectível corte de fita. O único detalhe que faltou na inauguração do Túnel Major Sales, no Rio Grande do Norte, foi o principal ator da peça: a água.

 

Lula inaugura trecho da transposição com ponte improvisada de contêiner

O que assistimos na última semana no oeste potiguar foi o suprassumo do teatro político. Em sua pressa para faturar politicamente sobre a transposição do Rio São Francisco, o petista não hesitou em inaugurar uma obra estruturalmente seca. A desculpa oficial planaltina? Um “erro de cálculo” das construtoras sobre o tempo que a água levaria para percorrer os canais. Mas o problema real dessa gestão não é a física ou a hidrodinâmica; é a urgência da propaganda esbarrando na dura realidade dos fatos.

 

Contudo, a inauguração de um túnel de 6,5 quilômetros sem uma gota d’água é apenas a ponta do iceberg do improviso. A poucos quilômetros do palanque de Luís Gomes, no município de José da Penha, o espetáculo dá lugar ao bizarro. Um contêiner de carga marítimo — estrutura de chapa metálica, invariavelmente sujeita à oxidação e ao desgaste acelerado — foi improvisado como ponte-canal para transportar o recurso que deveria matar a sede de milhares de nordestinos.

 

 

Não estamos falando de uma estrutura provisória de um loteamento de bairro. Trata-se do Ramal do Apodi, uma engrenagem fundamental dentro de um projeto que custa bilhões aos pagadores de impostos. Substituir o rigor da engenharia, do concreto armado e do cálculo hidráulico de longo prazo por um contêiner de carga é a tradução perfeita do “puxadinho” institucionalizado. É a gambiarra elevada à categoria de política pública.

 

Vale lembrar que a obra da transposição, de pouco mais de 400 km, se arrasta desde 2007, mergulhada em escândalo de corrupção. Embora as gestões do PT tenham executado o maior trecho, foram Temer e Bolsonaro que garantiram a entrega da água na ponta, com obras estruturais essenciais para a conclusão dos eixos Leste e Norte. O Ramal do Apodi, que nem fazia parte do projeto original, é o reflexo da doutrina petista de iludir seus eleitores com promessas que nunca são cumpridas.

 

Será que o povo nordestino continuará acreditando em Lula? O cidadão que aguarda há décadas por segurança hídrica no semiárido não precisa de fita cortada às pressas à meia-noite. Não precisa de um presidente narrando do helicóptero que “a água está a caminho”. E, definitivamente, não merece que sua infraestrutura básica seja tratada como sobra de porto. O desenvolvimento nacional exige planejamento, engenharia de Estado e, acima de tudo, respeito ao dinheiro público.

 

Lula e o PT são como o contêiner do São Francisco: uma gambiarra feita de lata velha enferrujada.

 

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