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Sem edital, produção de livros em Braille para 2027 entra em risco
Publicado em 17/07/2026 13:10
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A produção dos livros didáticos em Braille para o ano letivo de 2027 já enfrenta risco de atraso. A Associação Brasileira da Indústria, Comércio e Serviços de Tecnologia Assistiva para Pessoas com Deficiência (Abridef) afirma que o edital que autoriza a fabricação do material ainda não foi publicado e alerta que o cronograma começa a ficar comprometido.

 

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Segundo a entidade, a produção de um livro em braille-tinta leva entre seis e nove meses. O processo envolve transcrição, revisão técnica, impressão em papel especial e distribuição. Sem a publicação do edital, nenhuma dessas etapas pode ser iniciada.

 

A preocupação da associação é evitar a repetição do cenário registrado neste ano, quando milhares de estudantes cegos iniciaram as aulas sem acesso ao material didático.

 

 

“No ano passado, a Abridef alertou para o mesmo risco e não foi ouvida a tempo. O resultado foi uma crise institucional e pedagógica sem precedentes, que atingiu cerca de 45 mil estudantes cegos ou com baixa visão em idade escolar, na estimativa do IBGE”, afirma o presidente da Abridef, Rodrigo Rosso.

 

De acordo com Rosso, o problema não está na capacidade de produção, mas na falta de previsibilidade para o início dos contratos.

 

“O processo é conhecido, estruturado e tecnicamente dominado pela cadeia produtiva. O que pesa é a previsibilidade contratual. Quando o edital não sai dentro da janela adequada, o cronograma inteiro trava”, diz.

 

A Abridef afirma que a distribuição dos livros em Braille ocorre na mesma estrutura logística utilizada para os livros didáticos convencionais, o que exige planejamento antecipado para atender à demanda nacional.

 

Para a entidade, a publicação do edital ainda neste período é fundamental para garantir que os materiais estejam disponíveis no início do próximo ano letivo e evitar que estudantes cegos sejam prejudicados novamente.

 

“Garantir que não haja um novo ‘Braille zero’ exige previsibilidade, transparência e contratos compatíveis com a demanda nacional. O debate precisa ser técnico e responsável”, conclui Rosso.

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