
A Polícia Federal (PF) abriu ontem (18) inquérito para investigar a filiação fraudulenta do candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao Missão, partido ligado ao MBL e que tem Renan Santos como candidato ao Planalto. A apuração foi determinada pelo presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Nunes Marques.

Flávio apareceu na última quinta (13) no sistema da Justiça Eleitoral como integrante do Missão e desligado do PL. A alteração impediu, naquele momento, o registro da candidatura do senador à Presidência.
A defesa de Flávio afirmou ao TSE que ele nunca solicitou a filiação ao Missão. Segundo os advogados, uma certidão emitida às 23h17 de quarta (12) ainda registrava o senador no PL. Menos de 11 horas depois, o sistema apontava a mudança de partido.
Nunes Marques determinou que a PF identifique quem incluiu Flávio no Missão, em quais circunstâncias a alteração foi feita e qual foi o contexto do lançamento no sistema. O inquérito da corporação apura possíveis crimes de falsidade ideológica e inserção de dados falsos em sistema de informações.
O delegado responsável pelo caso também determinou que Renan Santos seja chamado a prestar esclarecimentos, por escrito ou presencialmente, sobre a inclusão do senador na legenda.
O TSE informou que a alteração não decorreu de uma invasão ao sistema da Justiça Eleitoral. Segundo a Corte, o registro foi realizado por uma pessoa que utilizou credenciais do próprio Missão.
O episódio levou o TSE a suspender o processamento de novas filiações partidárias pelo sistema Filia, plataforma usada pelas legendas para comunicar à Justiça Eleitoral a entrada e a saída de filiados. A Corte determinou ainda a preservação dos registros de acesso ao sistema enquanto investiga alterações realizadas na plataforma.
A apuração interna da Corte Eleitoral identificou também uma tentativa de alteração na filiação de Lula (PT). Nesse caso, a mudança não chegou a ser concluída. O TSE verifica ainda possíveis tentativas semelhantes envolvendo outros candidatos.
Nunes Marques desconsiderou a filiação de Flávio ao Missão e determinou o restabelecimento do vínculo do senador com o PL, existente desde novembro de 2021. Com a decisão, a Justiça Eleitoral retirou o registro do Missão do histórico de Flávio. O senador conseguiu registrar sua candidatura ao Planalto ainda na noite de quinta (13).
O Missão classificou a filiação de Flávio como irregular e afirmou ter sido “vítima de uma tentativa de filiação fraudulenta de Flávio Bolsonaro”. A legenda informou que entregaria às autoridades os dados relacionados ao caso.
Renan Santos também anunciou uma investigação interna no partido. “A última coisa que a gente quer é o Flávio Bolsonaro filiado à Missão”, afirmou.
