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Lucas Cyborg: o lutador goiano que perdeu a perna, superou a depressão e virou campeão mundial de parajiu-jítsu
Publicado em 22/08/2026 09:25
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Apesar da pouca idade, o goiano Lucas Tavares, de 16 anos, mais conhecido como Lucas ‘Cyborg’, acumula medalhas e histórias de superação. O lutador, que perdeu a perna direita aos 13 anos em razão de uma má-formação congênita, usou o esporte para aceitar a condição e mudar a trajetória de vida. Após entender que a perda do membro não significaria necessariamente uma limitação, começou a praticar esportes de luta, venceu a depressão e passou a frequentar tatames internacionais. 

 

 

Lucas iniciou a carreira no caratê, aos 12 anos. A ideia, segundo a mãe, Bárbara Helena, era praticar uma atividade que ajudasse a manter a mente ocupada, superar o bullying na escola e ganhar motivação para seguir em frente. “Naquele momento, o Lucas enfrentava uma depressão muito forte, que vinha desde os 10 anos”, revela. 

 

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Goiano Lucas Cyborg conquista vice-campeonato mundial de parajiu-jitsu

A sequência no caratê foi animadora. Além de ajudar no enfrentamento da depressão, o esporte rendeu medalhas em um curto período de treinamento – apenas um ano. Porém, Lucas precisou enfrentar uma nova adversidade. Em virtude da hemimelia fibular – malformação congênita rara em que a criança nasce sem parte ou toda a fíbula – precisou amputar a perna direita, em 2023. 

 

“Foi mais uma pancada, mas estou acostumado a lutar de cabeça erguida. Desde criança, passei por mais de 15 cirurgias de alongamento ósseo, mas sem resultados satisfatórios. Por isso, decidi que o melhor caminho era a amputação. Não desistiria de ser um paratleta”, explica Lucas. 

 

 

Após a amputação, deixou o caratê e abraçou o jiu-jítsu. A ascensão na nova modalidade foi meteórica. Apenas cinco meses depois da cirurgia, venceu uma etapa do Brasileiro e o Pan-Americano de Parajiu-jítsu. 

 

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Paratleta Lucas “Cyborg” exibe medalhas conquistadas em diversas competições. Foto: Divulgação

Campeão mundial 

Um ano e cinco meses depois, o faixa-azul entrou para a galeria dos grandes nomes do paradesporto. Em 2024, conquistou seu primeiro título mundial de parajiu-jítsu, em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos. 

 

No ano seguinte, defendeu o título em Bangkok, na Tailândia. Foi vice-campeão mundial após perder a final para um competidor mexicano adulto, faixa-preta. “A minha meta é ser o maior campeão do parajiu-jítsu de todos os tempos”, revela, sem modéstia. 

 

 

Lucas

Paratleta Lucas posa para foto no Mundial da Tailândia. Foto: Divulgação

A fala repleta de ousadia é de quem está acostumado a lutar contra adversários e adversidades. Nos campeonatos, Lucas raramente enfrenta paratletas da mesma faixa etária. “Em virtude da falta de atletas menores de idade na minha categoria, acabo competindo com pessoas mais velhas. Mas já é tranquilo. Meu treinamento também é com pessoas mais velhas e sem deficiência”, revela. 

 

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Em busca do bi

Lucas ‘Cyborg’ compete na categoria A3 (amputados acima do joelho), no juvenil. E já tem data marcada para buscar o bicampeonato mundial. Entre os dias 3 e 6 de setembro, disputará o Mundial de Para Jiu-jítsu, no Japão, país em que o esporte foi criado. A viagem está marcada para 28 de agosto. 

 

Lucas intensificou há seis meses a preparação para o Mundial. Ele treina diariamente na Academia Construindo Campeões e na BGJ (Bhothers Gyn Jiu-jítsu), no Parque Amazonas, em Goiânia. 

 

 

Lucas na conquista do primeiro título mundial, em Abu Dhabi. Vídeo: Divulgação

Carreira brilhante 

Aos 16 anos, Lucas acumula os títulos de campeão brasileiro, sul-americano e pan-americano de parajiu-jítsu, na categoria A3, além do mundial. É um dos jovens atletas de destaque da modalidade. O esporte mudou sua vida para sempre. 

 

“A amputação não foi o fim, e sim o começo de uma nova vida”, afirma Lucas. “O esporte foi fundamental para superar a depressão e evitar pensamentos suicidas”, afirma a mãe, Bárbara Helena. 

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