
O uso estratégico do aparato estatal e de ferramentas jurídicas para neutralizar adversários políticos — prática conhecida internacionalmente como lawfare — consolidou-se no Brasil como um método central de disputa de narrativa. Sob a justificativa de “defesa das instituições” ou “proteção ambiental e social”, uma enxurrada de representações, notícias-crime e inquéritos foi mobilizada por partidos de esquerda, ativistas e setores alinhados do Judiciário com um objetivo claro: o desgaste sistemático da imagem pública de Jair Bolsonaro.

Esse método está sendo colocado em prática novamente, agora contra Flávio.
Ele opera em três etapas previsíveis. Primeiro, hiperboliza-se um fato cotidiano ou uma declaração polêmica, transformando-a em uma denúncia de gravidade internacional (da “importunação” de um animal à acusação de “genocídio”). Segundo, utiliza-se a cobertura midiática massiva para fixar a pecha de criminoso no alvo político, operando o chamado “assassinato de reputação”. Terceiro, após meses ou anos de desgaste político e sangria pública, o caso é silenciosamente arquivado pelos próprios órgãos de controle por total ausência de base jurídica.
O colapso técnico dessas acusações demonstra que o objetivo nunca foi a obtenção de uma condenação penal sustentável, mas sim o cerceamento político por meio do processo. Abaixo, apresenta-se a lista sintética de todas as investigações de grande repercussão contra o ex-presidente que foram formalmente arquivadas ou rejeitadas pelas autoridades competentes.
Lista Sintética dos Casos e Inquéritos Arquivados
️ Investigações Criminais de Alta Repercussão
Caso das Joias Sauditas: Acusações de peculato e lavagem de dinheiro. A PGR solicitou o arquivamento definitivo no STF devido a lacunas na legislação sobre acervos presidenciais, resultando na perda do interesse criminal e na ordem de devolução dos bens.
Caso da Baleia Jubarte: Inquérito por suposto crime ambiental em São Sebastião (SP). Arquivado pelo MPF após relatório da Polícia Federal concluir pela total ausência de dolo ou intencionalidade na aproximação da moto aquática.
Fraude nos Cartões de Vacina de Covid-19: Petição criminal arquivada pelo STF a pedido da PGR. O encerramento aplicou o Código de Processo Penal, que proíbe denúncias baseadas exclusivamente em delação premiada (no caso, de Mauro Cid) sem provas materiais independentes.
Frente da “Abin Paralela” contra Bolsonaro: Investigação específica sobre espionagem arquivada pelo STF, sob o entendimento de que os fatos alegados já haviam sido absorvidos pelo inquérito principal, evitando a dupla persecução penal pelo mesmo fato (bis in idem).
️ Representações de Direitos Humanos e Liberdade de Expressão
Notícia-Crime por Homotransfobia (Discurso do MA): Representação movida pela oposição após críticas de Bolsonaro a pautas de gênero. Arquivada pelo STF após parecer da PGR que reconheceu a fala como manifestação político-ideológica e religiosa protegida, sem teor de incitação ao ódio.
O Caso das “Sete Arrobas” (Suposto Racismo): Investigação sobre comentário jocoso a respeito do peso de um apoiador negro. Arquivada pela PGR após o próprio cidadão declarar que não houve ofensa ou discriminação, afastando o caráter criminoso da interação.
Críticas à Equiparação da Homofobia ao Racismo: Ações movidas após críticas públicas de Bolsonaro a decisões do STF. Rejeitadas pela Corte por estarem resguardadas pelo direito à crítica política e pela liberdade de expressão.
Inquéritos Relacionados à Pandemia de Covid-19
Petições da CPI da Pandemia: Oito pedidos de indiciamento feitos pela comissão parlamentar (incluindo crimes de prevaricação e charlatanismo). Todas as frentes foram arquivadas individualmente por ministros do STF (como Dias Toffoli e Ricardo Lewandowski) após a PGR apontar que o relatório tinha teor puramente político e carecia de nexo causal técnico.
Denúncias de Genocídio Indígena e Tráfico: Notícias de fato genéricas enviadas por partidos e associações de esquerda. Arquivadas sumariamente pelo MPF por se basearem em recortes de jornal e opiniões políticas, sem qualquer indício ou documento factual mínimo.
️ Atos Políticos, Difamação e Propaganda
Representações por Manifestações Públicas: Pedidos de investigação alegando que discursos em atos públicos configuravam intimidação ao STF. Arquivados pelo MPF após a constatação de que os eventos foram pacíficos e legítimos dentro do direito de reunião.
Queixa-Crime por Difamação (Caso Covaxin): Ação movida pelo senador Randolfe Rodrigues por ataques políticos nas redes. Rejeitada pelo STF por entender que ofensas mútuas no calor do debate político entre autoridades não constituem crime de difamação.
Uso de Imagens de Crianças em Campanha: Acusações de violação ao Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). Remetido à primeira instância eleitoral e arquivado a pedido do Ministério Público Eleitoral por atipicidade penal.
O Padrão Jurídico do Desmoronamento
O arquivamento sistemático desta ampla lista de processos evidencia que o sistema acusatório penal foi instrumentalizado como extensão do debate eleitoral. Ao esbarrarem nos critérios técnicos do Direito — como a exigência de dolo específico, a insuficiência probatória e a atipicidade de condutas políticas —, as denúncias desmoronaram. Restou, contudo, o efeito prático do método.
Método que é novamente aplicado, agora contra a campanha de Flávio Bolsonaro. A mais recente iniciativa trata da tentativa de criminalização de manifestações de influenciadores, em redes sociais, contra a alta de preços dos alimentos. Ontem, a campanha de Lula anunciou que vai ao TSE denunciar a existência de uma ‘organização criminosa’ digital, que teria agido de forma coordenada para desgastar o governo Lula.
Resta saber se a Justiça eleitoral cairá nessa conversa fiada e se permitirá mais uma vez ser instrumentalizada por essa turma.
