
Enquanto Lula mentia na sabatina da Globo, com sua voz rouca, um chapéu Panamá para esconder a calvice e a coluna curvada, Flávio Bolsonaro reunia as principais lideranças do mercado financeiro na casa do violinista Marcelo Kayath, que também é ex-presidente do Credit Suisse. Quem participou da longa conversa, garante que “tudo mudou” em relação ao petista e ao bolsonarista. A ficha caiu.

Além de desmistificar a imagem de radical criada pela mídia do pix — papel hoje protagonizado por Renan Santos –, o senador demonstrou maturidade e compreensão sobre a situação econômica, que já ameaça o balanço dos próprios bancos. Flávio respondeu a todas as perguntas. Falou sobre privatizar só o que for inútil, mas manter o que for estratégico, e elencou as medidas de ajuste fiscal que estão sendo desenhadas pela equipe econômica.
Kayath, que alguns consideram um nome adequado para o Ministério da Fazenda, convidou pessoalmente Luiz Carlos Trabuco, do Bradesco; Milton Maluhy Filho, do Itaú; Gilson Finkelsztain, do Santander; e Roberto Campos Neto, do Nubank; Fábio Barbosa, presidente da Natura & Co; Daniel Goldberg, sócio-fundador e CIO da Lumina Capital, além de outros pesos pesados do setor financeiro e executivos.
O senador foi acompanhado de Dani Marques, que relatou aos presentes a pressão exercida pelo Supremo para impedir a aliança do PL com o Republicanos, inviabilizando seu nome como vice de Flávio. O candidato, por sua vez, tratou do avanço do STF sobre outros poderes ao citar a ADPF das favelas, que restringiu o trabalho da polícia no Rio de Janeiro e transformou a capital fluminense em QG do crime organizado.
Goldberg, que foi braço-direito de Márcio Thomaz Bastos, insistiu no tema. Chegou a citar a metáfora do “sapo na panela”, para dizer que a Corte foi tomando para si muito poder e “um dia a gente acordou e o Supremo virou o tutor” da nação. Questionou Flávio sobre como desatar esse nó, ao que o candidato respondeu: “Não tem outra solução que não seja pela via democrática e política. Teremos um Congresso mais à direita e que usará suas prerrogativas. O STF vai ter que voltar à Constituição.”
Um dos mais entusiasmados no encontro foi Barbosa, ironicamente um dos idealizadores da cartinha pela democracia de 2022. O executivo chegou a dar “dicas” para a sabatina de Flávio hoje à noite no Jornal Nacional. “Não caia na pilha da Renata”, alertou. Ah, sim. O nome de Lula só foi citado lateralmente e em meio a críticas sobre a situação real e desesperadora do país. Chegou a hora de virar a chave.
