
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) determinou a retirada de um vídeo da campanha de Romeu Zema (Novo) que mostra o presidente Lula preso e os ministros Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes vestidos como presidiários.

A decisão liminar foi tomada pelo presidente do TSE, ministro Nunes Marques, que estabeleceu prazo de 24 horas para a remoção das publicações do Instagram, Facebook e TikTok. O material foi divulgado pelos perfis oficiais de Zema e de seu candidato a vice, Eduardo Girão.
A representação foi apresentada pela coligação Brasil Pronto pra Mais, que acusou a campanha de associar Lula, o PT e integrantes do STF à corrupção e à criminalidade.
Segundo Nunes Marques, o vídeo não configura deepfake. A produção utiliza estética de animação e informa que houve uso de inteligência artificial, sem buscar reproduzir de forma realista as pessoas retratadas.
O ministro entendeu, porém, que o conjunto da peça ultrapassa os limites da crítica política. Entre os elementos apontados estão a representação de Lula como “ladrão”, a associação de um dos filhos do presidente à corrupção e a vinculação do PT ao desvio de dinheiro.
Na montagem, Lula também aparece preso, usando uma roupa com o número “171”, em referência ao crime de estelionato. Moraes e Gilmar são mostrados dentro de uma cela, vestidos como presidiários.
Para Nunes Marques, a representação dos ministros coloca o STF em uma narrativa fictícia relacionada à criminalidade e extrapola a crítica à atuação do Judiciário.
Além de ordenar a retirada do material, o ministro proibiu Zema e Girão de voltar a publicar ou divulgar o conteúdo. A determinação também vale para reproduções idênticas e versões modificadas para tentar contornar a decisão.
Zema chama decisão de “censura”
Após a decisão, Zema criticou a determinação do TSE e afirmou que o Judiciário estaria agindo contra seus críticos.
“É uma vergonha tudo isso que está acontecendo em Brasília. Ficam falando de democracia, mas o que está acontecendo é o sistema lutando contra seu maior crítico. Estamos em uma ditadura do Judiciário”, afirmou.
O candidato também defendeu que o conteúdo era uma sátira e questionou a retirada da publicação.
“É inacreditável a censura contra uma sátira sobre os intocáveis de Brasília. Isso é mais um tapa na cara do povo brasileiro. Chega de Intocáveis”, declarou.
