
Ana Elisa Santos Silva, 21 anos, eleita deputada federal pelo PT de Minas Gerais com 524 mil votos e chamada para integrar o núcleo de estratégia digital da campanha de Lula no segundo turno, já está criando problemas de imagem para o petista.

Na quarta (7), ela se encontrou com Lula e foi anunciada na imprensa como integrante da equipe de campanha. Na quinta, ela começou seus esforços, pedindo em vídeo que a “direita não bolsonarista” votasse em seu candidato. Mas logo emergiu uma série de tweets extremistas e embaraçosos publicados por Ana Elisa, que tinha 142 mil seguidores no X e 3,2 milhões no Instagram.
Primeiro, o deputado Nikolas Ferreira mostrou uma captura de tela de um tweet em que Ana Elisa dizia, em 2022, que Lula deveria “fechar igrejas”.
Ana rebateu Nikolas mais de uma vez, alegando que a imagem havia sido forjada. A reportagem, contudo, encontrou registros em arquivo de outros tweets muito similares. Em 15 de fevereiro de 2023, respondendo à conta Choquei, que pediu uma nota para o início do terceiro mandato de Lula, ela disse: “7 até por que não fechou as igrejas como o prometido” (sic). Em 4 de abril do mesmo ano, ela repetiu: “lula para de fazer coisas boas para o Brasil, cadê o kit gay e o fechamento de igrejas?”.
Na época, Ana Elisa tinha 17 anos. Porém, depois de atingir a maioridade, manteve a antipatia pelas igrejas: “Eu acho que a primeira coisa que o Lula podia fazer a partir de agora, é tirar a isenção de impostos das igrejas evangélicas”, tuitou em 16 de maio de 2026. A petista também amplificou a mentira sobre Nossa Senhora Aparecida durante a campanha do primeiro turno.
As hipérboles ou opiniões extremistas eram comuns. Em 25 de março de 2025, Ana Elisa sugeriu que quem defendesse Bolsonaro deveria ser acusado de tentativa de golpe: “eu acho que já passou da hora de, defendeu o Bolsonaro? Vai ser acusado de tentativa de golpe junto, pronto” (testemunhamos este tweet antes que fosse deletado pela deputada).
Apoio a aborto tardio e suposta ameaça
Em junho de 2024, foi aprovado o regime de urgência para o PL 1904/2024, de Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), que pretendia equiparar aborto realizado após a 22ª semana de gestação ao homicídio. Ana Elisa reagiu: “FODASEEEEEE SE É DEPOIS DA 22ª SEMANA FODASEEEEEEEE É DE ESTUPRADOR, O ABORTO É LIVREEEE!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! QUEM DECIDE É A VÍTIMA, PQPPP QUEIMA ESSA BANCADA EVANGÉLICA, QUEIMA ESSE PL, PQ NEM O CAPETA PODE COM ESSE POVOOOOO!!!!!!”
No dia 15 de setembro de 2026, em campanha, Ana Elisa sugeriu que não era o momento de “a esquerda estar defendendo Alexandre de Moraes”, nem de “passar pano para os erros e as atrocidades que acontecem no STF”. Mas em julho de 2025, quando foram anunciadas as sanções Magnitsky contra o ministro, o papo era outro: “TODA A MINHA SOLIDARIEDADE A ALEXANDRE DE MORAES”, disse a petista.
Em 6 de setembro, Ana Elisa alegou ter sido alvo de uma ameaça mandada por email. Um suposto “supremacista branco” a teria ameaçado de estupro e morte. Depois que ela foi convidada para integrar a campanha de Lula, a notícia da ameaça voltou a repercutir na imprensa.
A então candidata petista publicou a carta de ameaça quase na íntegra, com poucos trechos suprimidos, e uma nota assinada pela advogada Maria Júlia A. Alvim. Submetemos ambos os textos à ferramenta Pangram, dedicada a diagnosticar se textos foram produzidos por inteligência artificial. Segundo a ferramenta, 94% da nota da advogada foi produzida com IA. Quanto à carta de ameaça, foi 100%.
Se um texto foi escrito sem IA, a taxa de falsos positivos do Pangram é de apenas 0,0078% na língua portuguesa, segundo a empresa responsável. A taxa de acerto da ferramenta é de 99,01%, com corroboração independente na mesma faixa de precisão.
Pouco antes das 22h de quinta, Ana Elisa desativou seu perfil no X. Até a publicação desta reportagem, o perfil no Instagram continuava ativo, inclusive com o vídeo em que ela alega que a captura de tela de Nikolas era forjada.
