
Via Folha de São Paulo – A ministra Estela Aranha, do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), mandou derrubar nesta sexta-feira (9) o site de venda de criptomoedas que hospeda um esquema que distribui tokens para usuários mediante o compartilhamento da mensagem “B22” e de conteúdos, como vídeos, que incentivam o voto no candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL). A ação foi apresentada à corte pela equipe de advogados do presidente Lula (PT), com quem Flávio disputará o Palácio do Planalto em 25 de outubro.
Oliver Stone afirma que filme sobre Lula nunca recebeu dinheiro de Vorcaro
“O perigo de dano igualmente se encontra caracterizado. Os fatos narrados dizem respeito à campanha presidencial em curso, em momento próximo ao segundo turno, contexto em que a velocidade de disseminação de conteúdos em redes sociais potencializa os efeitos do alegado ilícito e pode comprometer a igualdade de oportunidades entre os competidores”, afirmou a ministra.
Play Video
Em sua decisão, Estela Aranha afirmou que o site “extrapola a mera manifestação política de apoiadores” e pode se configurar como um mecanismo estruturado de concessão de vantagem econômica vinculada à divulgação de conteúdo de natureza político-eleitoral –o que pode infringir as regras da Justiça Eleitoral.
Ela citou como indícios disso a própria descrição do projeto, a divulgação de regras para participação e as referências expressas ao “voto 22”, número de urna de Flávio Bolsonaro.
Justiça Federal suspende liminar que adiava derrubada de bet até fim das eleições
“Embora a apuração definitiva acerca da efetiva remuneração e da responsabilidade individual dos representados dependa da regular instrução processual, os elementos apresentados revelam indícios suficientes de possível utilização de vantagem econômica para fomentar a circulação de propaganda eleitoral em ambiente digital”, escreveu.
A ministra determinou que os responsáveis pela iniciativa suspendam imediatamente a oferta, promessa ou distribuição de tokens “ou qualquer outra vantagem econômica” que seja condicionada a publicações relacionadas ao projeto Brasil 22 Token ou à candidatura bolsonarista.
Além disso, Estela Aranha mandou o X (ex-Twitter), Facebook e Instagram preservarem informações dos perfis ligados ao caso e a responsável pela Binance (corretora de criptomoedas) no Brasil apresentar os dados cadastrais de contas da qual partiram as criptomoeda do esquema.
Flávio Bolsonaro diz que proibição às bets é agressão à segurança jurídica
Em nota, a equipe jurídica da campanha de Flávio afirmou ter ajuizado medidas nas esferas eleitoral, cível e criminal, inclusive para a derrubada do site.
“A campanha desconhece a autoria do site citado, assim como não tem qualquer relação com o seu conteúdo e nem com a venda de criptomoedas”, disse no comunicado.
“Não existem perfis contratados pela campanha de Flávio Bolsonaro para fazer propaganda, seja de produto ou conteúdo. Todas as nossas páginas e canais de comunicação oficiais da campanha foram informados ao TSE e seguem as regras e a legislação eleitoral.”
O site estava sendo divulgado em um perfil do Instagram com 12,9 milhões de seguidores, o hyperskidsafrica, que arrecada recursos para construir casas para crianças em Uganda, na África.
Em um dos vídeos, crianças incentivam as pessoas a comprar e compartilhar B22. “Por favor, confiem em Nikolas Ferreira, Flávio Bolsonaro, Pablo Marçal”, dizem as crianças. “O propósito do novo token é ajudar o Brasil. No segundo turno, dê uma chance, vote diferente.”
Kevim Flores, idealizador do projeto B22, fez uma live no Instagram e falou dos objetivos eleitorais. “A gente vai conseguir com que várias pessoas que votaram no 13 compartilhem em suas redes sociais o B22”, disse em vídeo com Nahuel Medina, braço-direito de Pablo Marçal, que integra a campanha de Flávio Bolsonaro. “Isso é extremamente estratégico”, disse.
Em outra frente, a Justiça Federal recebeu nesta sexta-feira (9) uma notícia-crime apresentada pela defesa de Flávio Bolsonaro contra os responsáveis pelo projeto, por suspeitas de fraude com ativos virtuais e organização criminosa. A juíza Marilaine Almeida Santos deu prazo de cinco dias para o Ministério Público Federal se manifestar sobre a abertura de investigação.