
O senador e candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ) prometeu ampliar o saneamento básico no Pará, melhorar as condições de tráfego na Transamazônica e atrair investimentos em data centers para o Amazonas. As propostas foram apresentadas nesta sexta-feira (23), durante o debate presidencial da TV Globo, em confronto com o presidente Lula (PT).

Ao falar sobre a falta de água tratada e de coleta e tratamento de esgoto, Flávio afirmou que pretende trabalhar em parceria com o governador eleito do Pará, Daniel, para ampliar a infraestrutura de Belém.
“Eu me comprometo a ajudar Belém a fazer o maior programa de saneamento básico da cidade”, declarou.
O senador relatou ter visto esgoto a céu aberto na capital paraense e criticou as condições enfrentadas por moradores que convivem com mau cheiro e falta de infraestrutura. Ele também prometeu atuar para melhorar o acesso a serviços básicos na Região Norte.
Candidato critica situação da Transamazônica
Flávio afirmou que pretende garantir o asfaltamento de trechos da Transamazônica e responsabilizou entraves ambientais do governo federal pelas dificuldades para executar as obras.
Segundo o candidato, a falta de pavimentação prejudica o deslocamento de moradores e o transporte de cargas, sobretudo durante o período de chuvas, quando caminhões ficam atolados e comunidades podem enfrentar dificuldades de conexão com outras regiões.
“Eu vou garantir o que você mais pediu, o direito de trabalhar”, afirmou, ao direcionar o discurso aos eleitores do Pará.
A proposta integra o discurso do candidato em defesa da ampliação da infraestrutura e da redução de obstáculos ambientais e burocráticos a projetos de desenvolvimento.
Zona Franca e data centers
Para o Amazonas, Flávio prometeu manter a Zona Franca de Manaus e ampliar sua capacidade de atrair investimentos. O senador citou a instalação de data centers como uma oportunidade econômica e defendeu aproveitar recursos de gás natural para produzir fertilizantes no Brasil.
A proposta busca associar a estrutura industrial da região a novos investimentos em tecnologia e energia. Flávio também afirmou que pretende reduzir a dependência brasileira de fertilizantes importados, utilizando matéria-prima disponível no país.
O candidato ainda declarou que pretende garantir autonomia aos povos indígenas para decidir sobre atividades em suas terras, tema que provocou reação de Lula durante o debate.
Saneamento tem meta legal para 2033
Ao criticar a situação do saneamento, Flávio afirmou que, por causa do atual governo, a meta de universalização teria sido empurrada para depois de 2050. A declaração, porém, exige uma distinção: o Marco Legal do Saneamento, instituído pela Lei nº 14.026/2020, estabelece como metas o atendimento de 99% da população com água potável e de 90% com coleta e tratamento de esgoto até o fim de 2033. .
A existência de metas legais não significa que elas serão necessariamente cumpridas. Em julho de 2026, apesar do aumento dos investimentos desde a aprovação do marco legal, o ritmo de aplicação dos recursos ainda estava abaixo do necessário para universalizar os serviços até 2033. .
Lula rebate propostas e defende preservação ambiental
Na resposta, Lula acusou o grupo político de Flávio de defender medidas que, segundo ele, enfraqueceriam a proteção ambiental. O presidente citou a gestão do ex-ministro do Meio Ambiente Ricardo Salles e afirmou que a Amazônia pode gerar mais recursos com a floresta preservada do que com sua derrubada.
Lula também defendeu a economia verde e o Fundo Amazônia, cuja retomada atribuiu ao atual governo.
“Ele não conhece a Amazônia”, afirmou o presidente, ao contestar as propostas do adversário.
