O clima no Palácio do Planalto azedou de vez. Entre olhares tortos e farpas veladas, ministros do governo Lula passaram a semana em um verdadeiro cabo de guerra nos bastidores. O motivo? A disparada da reprovação do presidente nas pesquisas e o medo coletivo de afundar no mesmo barco.
Com os números negativos batendo à porta — como os 56% de percepção de piora na economia segundo a Quaest — o governo tenta conter o estrago com o que sabe fazer de melhor: encontrar culpados internos. Três nomes despontam no jogo da culpa: Rui Costa (Casa Civil), Sidônio Palmeira (Secretaria de Comunicação) e Fernando Haddad (Fazenda). Todos sob o olhar de um Lula cada vez mais tentado a não tentar a reeleição em 2026.
Velho conhecido do petismo, Rui Costa voltou a ser pressionado a ressuscitar o projeto apelidado de “SUS da Segurança”, engavetado há meses. Além disso, sofre cobranças para mostrar entregas do PAC — o plano de obras que, por enquanto, só tem vitrine, mas pouca rua.
Indicado por Rui e apresentado como a mente mágica da propaganda, Sidônio Palmeira é visto agora como um bilhete premiado que não rendeu. No comando da Secom há quase três meses, sua missão era alavancar a imagem de Lula — mas até agora, nada de milagre. Entrou de gaiato e virou alvo.
Para os aliados de Sidônio e Rui, a culpa é da economia. E o culpado, claro, é Fernando Haddad. Apontam que o otimismo virou poeira: o índice de percepção de que a economia “piorou” saltou de 23% para 56%. Se a missão de Haddad era acalmar o mercado e conquistar o povão, os dados indicam que ele falhou com os dois.
Enquanto isso, Lula — que já demonstrou ser um especialista em terceirizar desgastes — observa o tabuleiro com um olho nas pesquisas e outro na sucessão. A possibilidade de não concorrer em 2026 paira como sombra, e nos bastidores, tanto Costa quanto Haddad sonham com a vaga. Só esqueceram de combinar com o eleitor.
