
O deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) criticou nesta quarta-feira (27) a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que reduz a jornada semanal de trabalho e altera o atual modelo da escala 6×1. Segundo o parlamentar, a medida pode provocar efeitos negativos na economia, como aumento de preços e demissões.

Em entrevista à imprensa após a aprovação da matéria na comissão especial da Câmara, Nikolas afirmou que parte da esquerda estaria tratando o tema de forma “populista” e sem debate econômico aprofundado.
“Que é fazer uma proposta populista sem debate sério, mostrar que realmente tem consequência, impactos econômicos nisso”, declarou.
Durante a fala, o deputado ironizou propostas mais amplas de redução da jornada e mencionou, em tom crítico, a possibilidade de adoção de uma escala 4×3.
“Um dia mais, um dia menos, não vai fazer diferença. Inclusive, até defendo salário mínimo de R$ 5 mil ou até mesmo uma escala três por quatro”, afirmou.
A comissão especial aprovou, por 34 votos a 4, a PEC que reduz a jornada máxima de trabalho das atuais 44 horas para 40 horas semanais em duas etapas. O texto reúne propostas dos deputados Reginaldo Lopes (PT-MG) e Erika Hilton (Psol-SP).
O parecer do relator Leo Prates (Republicanos-BA) estabelece inicialmente uma carga semanal de 42 horas após 60 dias da promulgação. Depois de 12 meses, o limite passaria para 40 horas.
Nikolas argumentou que a proposta pode pressionar empresas e afetar consumidores.
“Se for fazer desta maneira, da maneira como simplesmente a esquerda quer, o Brasil realmente vai passar por demissões em massa, vai passar por aumento do preço dos produtos”, disse.
O parlamentar também afirmou que a discussão sobre jornada de trabalho ignora outros problemas estruturais do país, como carga tributária elevada, insegurança e baixa qualidade dos serviços públicos.
“Pegam pessoas que estão fragilizadas e colocam como se só a escala fosse resolver todos os problemas. Sendo que a verdade não é isso”, declarou.
A proposta será analisada ainda nesta quarta-feira pelo plenário da Câmara. O presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), pautou a votação antes mesmo do fim da análise na comissão especial. Se aprovada pelos deputados, a PEC seguirá para o Senado.
