Offline
MENU
https://platform-upload.cdn-brlogic.com/113401/slider/9f22fe65968d79b6f45efc1523e4c4aa.png
https://platform-upload.cdn-brlogic.com/113401/slider/80a574611830c0240c40e4d3d91929b3.png
Hackers roubam mais de R$ 30 bi da maior corretora de criptomoedas do mundo
Publicado em 30/10/2026 12:03
Últimas Notícias

Cerca de US$ 6,3 bilhões (cerca de R$ 34 bilhões) foram roubados da Binance, maior corretora de criptomoedas do mundo, em um ataque hacker que durou aproximadamente 20 minutos e é considerado o maior já registrado no setor. Empresas especializadas em segurança digital identificaram semelhanças com invasões anteriores atribuídas a grupos ligados à Coreia do Norte.

O ataque começou no fim da noite de quinta-feira (29) e levou a Binance a suspender temporariamente os saques. A corretora informou que vai cobrir todas as perdas. Mesmo assim, a notícia provocou quedas nas principais criptomoedas e aumentou a preocupação dos investidores com a segurança dos ativos digitais.

 

As primeiras investigações indicam que a invasão pode ter começado pelo notebook de um engenheiro da Binance. Os criminosos teriam usado o equipamento para acessar um dos sistemas da corretora e transferir os recursos para carteiras digitais sob seu controle.

 

 

A empresa informou que analisa o computador comprometido para identificar como ocorreu a invasão. As companhias americanas TRM Labs e Chainalysis, especializadas em rastrear transações com criptomoedas, também investigaram o caso e apontaram, com alto grau de confiança, possível envolvimento de hackers ligados ao governo norte-coreano.

 

As duas empresas identificaram semelhanças com o ataque sofrido pela corretora Bybit em 2025. Na ocasião, o FBI, a polícia federal dos Estados Unidos, responsabilizou a Coreia do Norte pelo roubo.

 

O governo norte-coreano nega envolvimento em crimes cibernéticos. Suas representações diplomáticas, porém, não responderam aos pedidos de comentário da Reuters. A Binance afirmou que sua investigação interna ainda não identificou os responsáveis.

 

Apesar das perdas, a corretora garante que os recursos dos clientes estão protegidos. “Seu dinheiro está seguro e estamos cobrindo todas as perdas”, declarou o co-CEO Richard Teng em uma publicação na rede social X.

 

A Binance também trabalha com outras empresas do setor para localizar e bloquear os valores desviados. Até o momento, aproximadamente US$ 3 bilhões em ativos ligados ao roubo foram localizados ou congelados. Ainda não há informações sobre o destino dos US$ 3,3 bilhões restantes.

 

Entre as empresas que participaram dos bloqueios estão a Tether, que congelou quase US$ 1,57 bilhão, e a Circle, responsável por mais de US$ 800 milhões. A Ripple também bloqueou aproximadamente US$ 200 milhões. A World Liberty Financial, empresa de criptomoedas apoiada pelo presidente americano Donald Trump, participou dos esforços para impedir a movimentação dos recursos.

 

 

A expectativa da Binance é retomar os saques nas próximas 48 horas. Fundada em 2017, em Xangai, na China, a corretora permite comprar, vender e armazenar criptomoedas, como o bitcoin. Segundo seu relatório anual de 2025, a empresa tem 335 milhões de usuários cadastrados em todo o mundo e mantinha sob sua responsabilidade cerca de US$ 162,8 bilhões (R$ 879 bilhões) em ativos digitais.

 

Para proteger os clientes em casos de ataques, a Binance mantém um fundo de emergência de US$ 1 bilhão em bitcoin. Como o valor roubado supera essa reserva em mais de seis vezes, a empresa informou que usará outros recursos próprios para cobrir as perdas.

 

O bitcoin chegou a US$ 76.368, menor cotação em seis semanas. O ether recuou mais de 3%, para US$ 2.178, menor valor em dois meses. Já o BNB, moeda digital ligada à Binance, caiu 5% em 24 horas e chegou a US$ 709,70, segundo dados da plataforma CoinGecko.

 

A reação negativa também atingiu empresas do setor negociadas na bolsa americana. As ações da Coinbase, que informou não ter sido afetada pelo ataque, caíram 4,8%. Os papéis da Strategy, conhecida por investir em bitcoin, recuaram quase 6% nas negociações após o fechamento do mercado.

 

Analistas avaliam que o episódio pode aumentar a desconfiança dos investidores em relação às corretoras que armazenam criptomoedas. O setor já enfrentava dificuldades diante dos juros elevados nos Estados Unidos e da menor procura por fundos de investimento ligados a esses ativos.

 

O ataque à Binance se soma a uma série de invasões registradas nos últimos anos. Segundo a TRM Labs, hackers desviaram US$ 2,9 bilhões em criptomoedas ao longo de 2025, em quase 150 ocorrências. Em setembro, a corretora Bitget também informou ter sofrido um ataque que resultou no roubo de aproximadamente US$ 350 milhões em ativos digitais.

 

Comentários
Comentário enviado com sucesso!