
O Partido Liberal (PL) deve votar majoritariamente a favor do fim da escala 6×1, segundo o líder da sigla na Câmara, Sóstenes Cavalcante. A declaração foi dada em conversa com a reportagem nesta quinta-feira (5), em meio à articulação do governo federal para avançar com a pauta ainda no primeiro semestre.
“Eu acho, inclusive, até que a gente, na ampla maioria, deverá votar a favor, comunicando que isso não resolve o problema. O problema é mais grave do que a esquerda tentou resolver”, afirmou o parlamentar para este site.
Apesar do indicativo de apoio, Sóstenes criticou o modelo defendido pelo governo e por partidos de esquerda. “Tudo que é engessado demais é ruim. Então, nós vamos falar, defender o trabalho por hora. […] Para nós, tem que ser hora trabalhada, hora recebida”, disse.
Segundo o líder do PL, o debate proposto pelo governo não dialoga com a realidade atual do mercado de trabalho. Ele afirmou que a oposição não estaria ajudando o PT eleitoralmente ao apoiar a pauta. “O discurso é outro. A esquerda está ultrapassada. Esse discurso não funciona mais”, declarou. Para ele, parte significativa dos trabalhadores não busca mais vínculos formais. “Hoje, o brasileiro, na sua maioria, não quer nem saber de carteira assinada. Ele quer ser empreendedor.”
Na avaliação do deputado, a proposta não representa ganho político para o Lula, mesmo em ano eleitoral. “Não acho. O trabalhador, ele não quer saber de 5 por 1, de 5 por 2, hoje mais. O cara quer produzir”, afirmou. “Isso aí é um nicho, um gueto muito pequeno da esquerda que pensa dessa forma.”
Sóstenes também disse que o partido deve liberar a bancada para votar. “Lógico. Vai liberar a votação para cada deputado votar”, declarou.
O Lula e o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta • Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil/ Reprodução: Flickr
As declarações ocorrem enquanto Lula intensifica as articulações para transformar o fim da escala 6×1 em uma das principais bandeiras eleitorais de 2026. O presidente combinou com o presidente da Câmara, Hugo Motta, uma reunião na próxima semana para tratar do tema, com a participação da ministra Gleisi Hoffmann e do ministro Guilherme Boulos.
O governo defende a adoção de uma escala máxima de 5×2 e avalia enviar um projeto próprio ao Congresso. A proposta inclui a redução da jornada semanal para 40 horas, com possibilidade de diminuição progressiva para 36 horas, medida que enfrenta resistência do setor produtivo.
Lula também pretende associar o fim da escala 6×1 a outras pautas trabalhistas, como a ampliação de direitos para motoristas e entregadores de aplicativos, na tentativa de se reconectar com trabalhadores informais. A articulação inclui diálogo com parlamentares de esquerda, como a deputada Érika Hilton, autora de uma das PECs sobre o tema.
Mesmo com críticas ao conteúdo da proposta, Sóstenes afirmou que o avanço da pauta não deve beneficiar eleitoralmente o presidente. “Todas as pautas da política do PT não estão em sintonia com o povo”, disse. “Não vai resolver o problema do Lula, vai perder a eleição do mesmo jeito.”
A posição do PL repete o comportamento recente da bancada em votações de interesse do governo. Na semana passada, cerca de 66% dos deputados do partido votaram a favor da proposta do Gás do Povo, apesar do discurso público de oposição.
