
O CEO do Banco Master, Daniel Vorcaro, participou de pelo menos 17 reuniões com o Banco Central (BC) entre fevereiro e outubro de 2025, pouco mais de um mês antes da liquidação do banco e de sua prisão na Operação Compliance Zero da Polícia Federal (PF).
As informações foram obtidas por meio da Lei de Acesso à Informação (LAI) e detalham encontros na sede da autarquia em Brasília e na unidade de São Paulo.
Segundo os registros do BC, Vorcaro se reuniu com a Presidência da autarquia, comandada por Gabriel Galípolo, com a Diretoria de Fiscalização, sob responsabilidade de Aílton de Aquino, e com outros departamentos, como Supervisão Bancária e Coordenação-Geral de Inteligência Financeira.
O documento não detalha quais autoridades específicas participaram, apenas as unidades que receberam o executivo.
As agendas coincidiram com momentos críticos para o Master, que já havia recebido alertas do BC sobre dificuldade de captar recursos e risco de sanções.
Em novembro de 2024, quatro meses antes da tentativa de venda do banco ao BRB, o regulador indicou a possibilidade de adotar “medidas prudenciais preventivas”.
No dia 8 de abril de 2025, Vorcaro esteve na representação do BC em São Paulo, quando foi notificado de que as ações adotadas pelo banco eram insuficientes para reduzir o risco de liquidez. Na ocasião, o Master havia interrompido depósitos compulsórios obrigatórios ao BC, e o executivo assinou um termo de compromisso exigindo recomposição imediata de liquidez. No dia seguinte, houve outra reunião, desta vez com a Diretoria de Fiscalização.
Em 8 de maio, Vorcaro voltou ao gabinete da presidência do BC, no mesmo dia em que o Master solicitou a suspensão temporária do recolhimento compulsório de depósitos — pedido rejeitado pelo regulador. Dois meses depois, em julho, o BC identificou irregularidades nas operações de crédito do Master vendidas ao BRB, incluindo transações suspeitas e sem comprovação financeira, que posteriormente embasaram investigações criminais e levaram à prisão da cúpula do banco.
Sob pressão do regulador, Vorcaro participou de novas reuniões com Galípolo e Aquino em 22 de julho. Dois dias depois, o BC autorizou a transferência do controle do Banco Voiter (atual Banco Pleno) para Augusto Lima, então sócio de Vorcaro, como parte da tentativa de reestruturação do Master e venda ao BRB. O negócio acabou sendo rejeitado pelo BC em 3 de setembro.
Em 4 de setembro, Vorcaro se reuniu com a Coordenação-Geral de Inteligência Financeira em São Paulo e assinou novo termo de compromisso para recomposição da liquidez em dois dias úteis, com extensão até 30 de setembro. A última reunião documentada ocorreu em 1º de outubro com a Diretoria de Fiscalização e o Departamento de Supervisão Bancária. Quarenta e oito dias depois, o Banco Master foi liquidado.
